quarta-feira, 22 de junho de 2011



" Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." Clarice Lispector

domingo, 19 de junho de 2011

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Telhados



Hoje foi um dia de pensar, (re) pensar e pedir forças para continuar. Lembrei dos tempos de F.Pedroza. Das tardes em que sentava na porta para ouvir centenas de pardais na sua algazarra de fim de tarde quando voltavam para o ninho num chilrear sem fim. Hora também do sol ir embora, fazendo com que as sombras fossem ficando cada vez maiores e uma brisa amena soprasse naquele lugar de pedras. Do lugar onde eu sentava podia ouvir restos de conversas, gritos de crianças que corriam, como que ensaiando uma coreografia nas ruas sem calçamento que desembocavam num pequeno rio temporário, onde só existia lixo e alguns animais famintos buscavam alimentos para si. Os pardais se acomodavam em uma grande árvore que jogava os seus ramos para o quintal da casa que eu morava, e sentada na porta observava os telhados e pensando naqueles telhados foi que pedi para meu amigo Tadeu Moscatelli desenhar para mim uns telhados e ele desenhou casinhas coloridas fazendo-me lembrar daquele lugar tão cheio de vida, e ao mesmo tempo sem vida. Três anos de aprendizado naquela cidade, um grande estágio para a obra de Deus. Não sei por onde andavam aqueles pardais, mas todos os dias na hora certa eles retornavam com seus gorgeios para aquela árvore e eu sentava para esperá-los observando os telhados. Telhados velhos que abrigam sonhos/ gosto de vê-los lavados pela chuva/ os pingos que caem em forma de gotas brilhantes lustrando as histórias vividas debaixo dos telhados/que abriagam vidas/ vidas que choram/alegram-se, vibram/silenciam/gemem se contorcem/telhados que aquecem sonhos, abrigam fantasmas antigos que rondam as vaidades e assemelham-se a realidade. Telhados azuis/vermelhos, marrons/ debaixo dos telhados as vidas dormindo acordadas, sonham e acordam para mais um dia que nasce e desperta junto com os pardais. Desenho de Tadeu moscatelli - Blog Desenhadinho.com

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Fases






O tempo passa como o vento e vai nos levando, sem darmos conta do quanto estamos distantes daquilo que planejamos para nossas vidas. Entramos numa fase atemporal. Nada muda, nada é igual... Fases antagônicas, tempos dificeis. Greves, chuvas, frio... Pessoas perdendo emprego, lares, amores. Pessoas morrendo; tudo delindo-se, indo-se com o tempo. Mãos vazias que pedem socorro... O que fazer? Cada dia uma tarefa mais difícil. E o tempo? Onde encaixar a dor, a decepção, o amor? Este sentimento tão falado e tão pouco sentido entre os humanos, raramente compartilhado... Quanto tempo nos resta? Não sei se hoje estou amarga, agridoce ou apenas sem assunto. Olho as teclas, as letras, formo palavras que gritam, emudecem. Não quero calar. Está tudo cinza, a paisagem, o dia, o tempo... E uma chuva fina vai caindo deixando no ar uma quietude, uma saudade de outros dias passados; outros tempos em que o barulho dos pingos se confudiam com outras estações; outras canções que hoje não tocam mais. O tempo não é retroagível, não posso voltar... É inverno em meu coração, uma fase, um período...( ou não ). Tenho ouvido sobre dores emocionais, fisícas e espirituais; dores que não sei o antídoto para elas, apenas ouço e deixo falar o coração. Onde está o balsámo de Gileade para trazer alívio aos corações angustiados? Vejo o deserto. Adiante, muito distante, dos viajantes o óasis! Muitos estão sem forças para alcançá-lo e eu não tenho a chave do tempo nas mãos. Não posso retê-lo, ele corre veloz. É implacável na ação. Precisamos andar, andar a passos largos para encontrar o céu. Encontremos tempo para servir a Deus. Busquemos enquanto é tempo, antes que venham outros dias, outras fases, outras estações. " Apressa-te, avia-te, não te demores. Apenas há um passo entre mim e a morte." ISamuel 20:38,03.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Pérolas




O céu está cinzento nesta tarde ou será meu coração que está triste por não poder juntar as pérolas que teimam em cair no labirinto das cavernas? Procuro um ponto de partida para descer no caminho mas as águas inundam a passagem. Fico à mercê do tempo. Não consigo juntar as pérolas. Elas estão fora do meu alcance, partiram-se todas. Busco em Deus as respostas e muitas não vem da forma que eu quero. Questiono, entristeço às vezes. Neste momento de inquieta solidão busco a razão. Quero ser portadora do verbo amistar, que todo ser humano encontrasse em seu próximo o irmão, que essa loucura insana de mentes deturpadas fosse substituida pela essência de uma amizade sem interesse, sem subterfúgios e com diferenças respeitadas. Como posso deixar que em meu coração venha o desejo de destruir meu irmão, meu amigo? - Não quero falar destes motivos, eu quero ir além mesmo sabendo que nada do que digo mudará essa problemática. Eu não consigo nem mudar o que está em mim! E isto é o pior! Enfrentar os dissabores, fingir, às vezes, uma alegria que não existe nesse caos, na insegurança, na impotência de não poder substituir a raiva pela alegria, a insatisfação pelo prazer de fazer bem aos que estão próximos. Sinto-me dividida nesta tarde em que há prenúncio de temporal. Quem sabe a enxurrada leve algumas dores, dúvidas e inquietações para outras águas, outros mares... Quero tanto lavar a alma, limpar as cicatrizes, separar, delir, entrar no jardim e colher aquela flor bem-me-quer, encontrar o vento e soprar de mansinho em seus olhos e sentir uma brisa morna envolver o corpo, agasalhar o espírito, transbordar... envolver num abraço e com o gosto das águas que caem, limpas, transparentes, molhando o rosto, junto com as lágrimas de felicidade de mãos dadas caminhar pela vida, sem pressa, sem fugas... apenas caminhando na tarde!

sábado, 21 de maio de 2011

Em busca do caminho


Ontem foi um dia atípico. Cheguei atrasada na escola e mal entrei no portão o professor de educação física me procura para resolver um problema entre dois alunos. Enquanto caminho para minha sala outros probleminhas vão chegando ao meu conhecimento. Falamos com quatro mães e um pai e tudo foi se encaminhando dentro da rotina. Fui caminhando para o depósito da merenda quando observei 03 garotos entrando no banheiro feminino... - "Sai já daí!" - foi a minha primeira fala - "O que vocês pensam que estão fazendo?" E eles, com a cara mais inocente do mundo, olharam para mim e disseram: "Estamos arrumando nossos cabelos! O banheiro das meninas tem espelho, por isso estamos aqui." Olhei para aqueles garotos e pensei em Narciso. Assim, guiados por uma lógica hedonista, nos tornamos também cada vez mais narcisistas e trocamos as preocupações coletivas pelos projetos de realização pessoal e de consumo. O objetivo máximo da vida se torna a própria realização e, no sentido mais minimalista, temos o corpo como amplo campo de investimentos estéticos, vitamínicos e cirúrgicos. Enxergamos valores como a competitividade, a fama, a beleza e a pressa vendidos no atacado. Ver aqueles garotos, disputando uma vaga no espelho me faz refletir na vaidade exposta pela mídia. E isso se reflete também nos pais. Lí, recentemente, um artigo de uma psicanalista que falava sobre a díficil arte de adultecer. Cada dia queremos ser mais jovens e, nessa busca desenfreada pelo padrão (pré)estabelecido, vemos os nossos jovens, muitas vezes, buscando caminhos que não são o do espelho de um banheiro feminino, mas o caminho de morte. Mergulham no lago e afogam a imagem no espelho onde um dia Narciso se perdeu.