sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Motivo da Rosa


Não te aflijas com a pétala que voa: Também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzidas, mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos ao longe,o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando, por desfolhar-me é que não tenho fim...
Cecília Meirelles

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Já é Natal


"Porque um menino nos nasceu e um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz."Isaias 9:6. Jesus Nasceu!Feliz Natal para todos os amigos que visitam esse canto.
Imagem do Natal em Natal

sábado, 3 de dezembro de 2011

Lembranças


Hoje acordei com uma menininha puxando os lençois impaciente. Olhei para ela e vi uma ponta de tristeza passando em seu olhar. Levantei com pressa e comecei a organizar a rotina do dia que estava começando. Quando olhei no espelho a menininha estava ali, olhando pra mim com olhar triste, presa no espelho perdida nos mistérios da manhã que começava. Não conseguia entender porque ela ainda continuava ali. Olhei mais uma vez e retroagi aos anos que passaram... Aquela menininha sentada ali olhando o nada, vislumbrou uma noite perdida entre suas lembranças. Era uma noite de lua crescente, havia pouca luminosidade naquela noite morna com o vento que vinha do norte. Naquela época, sabíamos a rota do vento. E como em todo interior saíamos a noite para alguma prosa na casa dos vizinhos... Prosear era o termo usado para colocar em dia as noticias raras que chegavam naquele pé de serra no Oeste do nosso Estado. E foi numa dessas prosas que ouvi uma vizinha perguntando por uma irmã daquela menininha... Sobressaltada com aquela noticia começou um pequeno interrogatório infantil. Quem era essa irmã? onde estava? Por que não estava ali? Era viva? E a imagem daquela irmã povoava a mente daquela menina que agora depois de mais de quarenta anos teme um encontro com uma realidade inacreditavelmente próxima... Poucos compreendem o que é passar anos sonhando com um presente sem possibilidades e de repente ele se apresenta tangível, pronto, diante de você. A menina que passava tardes inteiras sonhando com a irmã, perdia-se na imaginação: Como seria? Do que brincava? Será que gostava de ler? Brincar de bonecas? Imaginar contos de fada? Brincar de casinha? Tinha bolo de aniversário? Como era sua casa? A menininha tinha uma amiga que tinha uma boneca chamada Helena, e ela gostava de imaginar que sua irmã se parecia com Helena boneca, como era bom brincar com Helena, era bonita, branquinha de olhos azuis, como brigavámos por Helena. Nos sonhos da menininha só tem uma coisa que a inquietava: Queria encontrar sua irmã sozinha. Não queria platéia, não queria efusividade apenas um abraço e aquietar a alma que se inquieta nesta tarde morna.

domingo, 27 de novembro de 2011

Olhar...


Passou por mim, olhando com toda força. Eu sabia que não era para mim que ele olhava de verdade. Deu as costas e saiu sem pressa como se seus passos divagassem em pensamentos pausados, inconclusos, incertos. No que ele pensava? Estacou, olhou à esquerda e entrou num corredor cheio de salas. Parou em frente a uma delas, riu um riso gostoso, insinuante, embora discreto. Da sala, saiu uma mulher com pouco mais de um metro e sessenta e cinco, mas que de salto parecia colossal! Não era magra. Seu vestido desenhava seu corpo até um pouco abaixo do busto e depois era só liberdade, bem solto, entregue às intenções do vento que brincava com o perfume dela também. Ele a vislumbrava e sentia um cheiro meio doce de especiarias a envolvê-lo. Fragrância de outras épocas, de muito longe. "Tão irreal", pensou suspirando olores. Ela sorria ingenuamente, atraida por uma força estranha. Conversaram sem palavras. Sentiram o cheiro um do outro. Beijaram-se na face, contendo os ânimos calorosos. ambos tinham as convenções sociais como guia e as ignoravam instintivamente diante das imaginações na velocidade da luz, entre sorrisos e gracejos. Era impossivel não perceber as sensações alquímicas que os enlaçava. Subitamente, como quem acorda de um pesadelo, olharam-se e tiveram um choque. Saíram antes de serem petrificados um pelo outro. Os olhos se despediram aliviados porque estavam voltando para suas respectivas casas e lá, somente lá, encontrariam a calma de um lar doce lar que os esperava cada qual a seu modo. Mas eles não contavam que lá no interior de si mesmos, onde ninguem os pode proteger, já tivera se instalado um incomodar latejante. E eles foram embora sem trocar uma palavra sequer. Cada um levava na memória o que havia se eternizado no passado... E foi assim que percebi que o amor não se acaba...adormece.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O Carteiro


Fazia dias que não abria meu e-mail, quando liguei o computador e dei uma olhada na caixa de mensagens fui tomada por uma dessas saudades repentinas dos tempos em que a correspondência chegava pelas mãos do carteiro. Era um momento impar separar as cartas e ver quem eram os remetentes, os mais queridos seriam os ultimos a serem lidos, saboreando devagarinho o que queria dizer as entrelinhas. Ainda faço isso com os e-mails. Hoje raramente o carteiro aparece por aqui e os e-mails e spams trazem uma enxurrada de informações que não nos interessam... Antigamente eu sonhava com as cartas que chegaria e guardo em uma caixa várias delas, não digo que são cartas, são verdadeiros documentários de vida. Ontem sentei e abri a minha caixa de lembranças em busca de uma data e encontrei outros tesouros, cartões, anotações, pequenos desenhos feitos pelas crianças que hoje já são adultos. Vou relendo e sentindo saudades do grito do carteiro que chegava lá na terra dos poetas e eu saia correndo para encontrá-lo na porta, com todas as cartas nas mãos. Os tamanhos e modelos dos envelopes já faziam com que eu identificasse o remetente e as vezes, a ânsia por noticias era tanto que eu já escorregava por ali, rasgava o envelope e sentava para devorar os conteúdos. Tinha poemas, relatos de viagens, saudades, receitas de bolo, uma prosa, um conto de Patativa do Assaré, Neruda, Drumond, Djavan, Caetano, noticias de Angola, Venezuela e as entrelinhas... Jardineiro sábio sabe o tempo de colher...Vou aprendendo que os tempos mudaram e as tecnologias tomaram conta das nossas vidas, o carteiro não chega e as noticias saltam diante de nós em tempo real. Na entrada já não tem mais a caixa da correspodência, agora é só ligar o computador e a janela se abre diante nós...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Depoimento








"Pode uma mulher esquecer-se tanto do seu filho que cria, que se não compadeça dele, do filho do seu ventre? mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas da minha mão te tenho gravado; os teus muros estão continuamente perante mim." Isaias 49:15, 16.



Conheci hoje um blog muito lindo http://naomordamaca.com/ e encontrei um post que me deixou muito emocionada, não consegui terminar de ler sem chorar, porque é uma verdade tão cruel, mas mostrada com tanta emoção que a gente vai bebendo as palavras, absorvendo de forma que somos impregnados com o amor daqueles jovens que só tinham uma missão: Alimentar algum morador de rua, e então eles tem uma experiência rica e linda com o Senhor.



"Tudo começou no sábado depois de uma palavra abençoada de um jovem da igreja, Fernando Ortega. Ele falou sobre a perseguição dos cristãos no mundo. Depois da palavra, o grupo foi comer umas sfihas, pois tinhamos feito uma vaquinha pra comprar, mas acho que Deus multiplicou o pão, quer dizer as sfihas, porque sobrou muito, e eu nunca vi a molecada deixar comida assim dando bobeira... e organizando a bagunça junto com meu brother e as meninas, pensei no que fazer com aquelas sfihas que sobraram. Como a gente anda envolvido com o projeto Resgate na Zona Oeste de Sampa (trabalho com moradores de rua) de 15 em 15 dias, pensei se não poderiamos dar umas voltas procurando alguém que estivesse com fome. Sugeri, e depois de uma palavra abençoada ajeitamos as coisas e fomos, aliás... como aprendemos e praticamos a orar por vidas que não conhecemos naquele culto, antes de sair fizemos isso e pedimos pra Deus direcionar tudo. Era a primeira vez que estavamos fazendo isso na nossa área, a Talita foi guiando o carro enquanto enquanto eu ia observando as calçadas pra ver se via alguém, e vi!!! Mas ela estava indo rápido demais, tivemos que dar uma volta e tanto pra chegarmos de novo onde tinha visto o cobertozinho de morador de rua, demorou um pouquinho, mas achamos, desci do carro e fui até o homem. Ele estava deitado em frente uma loja, que era do lado de uma igreja evangélica - nada modesta - pelo menos a fachada era linda! Enfim. - Olá, dá licença, será que você quer comer alguma coisa? Disse eu. - Opa! Sim, sim - respondeu o homem encolhido no cobertor. - Ah, que bom! Porque nós temos umas sfihas e refri, e trouxemos pra você... - Hoje é meu aniversário - disse o homem. Eu fiquei meio sem saber o que falar, nesse momento as meninas estavam dentro do carro ainda ( porque nesse projeto elas só saem se a barra estiver limpa ) e o Murilo estava no porta-malas do carro pegando as sfihas e refri. - Como assim? - eu disse. Enquanto isso ele tirava do bolso a sua carteira. - Você vai me mostrar seu RG? - Que horas são? - ele disse. -11h 10 - Então ainda é o meu aniversário - disse ele. Peguei o RG e li... de abril, ué? Estava lendo a data de expedição! Data do nascimento 25/09/1972!!! Nesse momento o Murilo chegou e eu disse: Olha a data de nascimento dele ( com cara de surpresa e alegria). Ele me olhou e disse: É o aniversário dele. Levantei, respirei... eu já estava quase chorando... Deus se lembrou do seu aniversário! Eu perguntei se podia chamar a galerinha do carro pra comemorar junto com ele, contente me disse que sim. Então oramos e conversamos, cada um deu uma palavra de benção pra ele, contava suas histórias e sonhos... comia e agradecia a gente e chorava. Depois disse que pedia pra Deus uma casa no meio do mato, longe da corrupção, da ganância e do orgulho... uma mulher feia pra ninguém ficar olhando e dez filhos. Demos boas risadas... Foi muito louco ver aquilo, o cara conhecia a palavra e parecia um cara culto. Quando abordei ele pensei estar bêbado, mas quando fomos conversando percebi que ele estava chocado, pois entendia bem que Deus nos enviou lá para lembrar do aniversário dele."
Enquanto vou transcrevendo esse post, agradeço a Deus pela sua benignidade para conosco, porque quem é o homem para que se lembre dele? Mas somos parte do cuidado de Deus. E vamos cada dia sendo abençoados por esse amor tão grande. Que neste fim de tarde possamos orar, agradecendo por sua provisão, cuidado e amor.Deus cuida... e capricha...

domingo, 25 de setembro de 2011

Tempo! Um santo Remédio?





Senhor das verdades, dos sonhos, fatuais ou não. Objeto de desejo dos moribundos, dos condenados a solidão. Não gosto de contar o tempo, do determinismo das horas rápidas, aceleradas quando tudo poderia ir mais lento nessa corrida sem volta das nossas vidas. Amarrar o tempo? Para algumas dores ele passa lento e na felicidade acelera. Há momentos em nossas vidas que nos ferimos e nos fechamos até a dor passar. E ela passa, a medida que o tempo vai passando a dor também começa a esvair-se, esmorecendo-se, delindo-se, e nossas forças vão se renovando para continuar lutando.Tive muitas dores, umas suportáveis outras nem tanto, mas nesse meio tempo vou construindo a arca que me levará para outros mares, outros portos, outras estações. E as feridas vão cicatrizando com o balsámo amoroso e curador da engenharia da vida. Podemos olhar adiante e o intangível torna-se real, palpável, tocável... E assim vamos indo, em nossa caminhada plantando as sementes do amor. Creio que mesmo a ferramenta inexorável do tempo não pode destruir o que começa com um ato de amor. Se o amanhã é uma possibilidade faça disso a sua certeza e encontre o seu objetivo.Se as horas passam lentas ou rápidas nessa tarde, aproveite o tempo, o presente, o Devir e ouse sonhar seus sonhos, praticá-los é um exercicio de fé e coragem. O tempo? Ele se encarrega de levar as dúvidas. Faça acontecer, e conjugue o seu querer no presente do indicativo. Eu vou e você? Este é o tempo! E é dele que a vida é feita. Para entender o tempo estou indo abraçar a tarde.