quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Tempo de Falar?

Estava meio travada por permitir que a tristeza inundasse meu peito e calasse o meu verbalizar... Entretanto, até na tristeza tenho o que falar... Aliás, falar da tristeza transforma em palavras nosso sofrer e esvazia nosso coração das mazelas que acumulamos por não saber expulsar aquilo que não desejamos carregar... Nem sempre é fácil falar... Mexemos em feridas que parece melhor não tocar... Porém, como curar as feridas sem abri-las, tocá-las, usar o remédio correto ainda que doa? É assim que levo minha vida... Falando, "oralizando" o que em mim se faz conflito... Pode parecer falatório, pode parecer inútil, mas sou resultado de um mundo falado, construído no significante das palavras... Portanto, preciso e desejo encontrar meus significados pelos símbolos dos vocábulos, pelo dito e pelo calado...
E assim inicio mais um dia da vida: Agradecida pela dádiva de falar e feliz no meu silêncio falado...

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Porque escrevo...

 Ultimamente ando sem conseguir escrever, vou alimentando aqui com os textos que gosto. Meus dias estão inquietos, encontro-me sonolenta e lenta, vou vivendo das reservas...


Aperta o meu coração, uma vontade de dizer sem saber se o outro quer ouvir: cuida de você, você pode, você é capaz, não fica aí nesse lugar. Vontade de dizer, compassiva, com empatia, porque eu muitas vezes também fiquei esperando. Até começar a entender que, depois que a gente cresce, a proteção amorosa, o suporte, a delicadeza, precisam começar na nossa relação com nós mesmos… Uma benção receber amor. Mas quando a gente dói, a gente precisa saber formas de cuidar da própria dor com o jeito carinhoso com que gostaríamos de ser cuidados pelos outros, com a delicadeza com que cuidamos de outras pessoas. A gente precisa se ter, antes de tudo. O beijo precisa começar em nós." Ana Jácomo

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Saudade para que?



Existem jovens que sentem nostalgia por não ter sido jovens em gerações passadas. Saudade do enfrentamento com os militares dos anos 70, da organização estudantil nas ruas, do sonho socialista-comunista-anarquista-marxista-leninista. Ter saudade da ditadura é ter saudade de conhecer a tortura, o medo, a falta de liberdade e a morte. Ser jovem naquela época era coexistir com a morte, ver os amigos ser tirados das salas de aula para o pau-de-arara, para o choque elétrico, para as humilhações. Da mesma forma, quem sente nostalgia dos anos 80 se esquece do dogmatismo limitante das tribos daqueles tempos, fossem punks, góticos ou metaleiros. Hoje, é a vez dos mauricinhos-patricinhas-cybermanos-junkies, das raves, do crack, da segurança dos shoppings e do Beira- Mar. Um cenário que pode parecer aborrecido ou irritante para muita gente que tem uma visão romântica de outras décadas. Mas nada melhor que a liberdade que temos hoje para saber qual é a real de uma juventude e de uma sociedade. Hoje, a juventude é mais tolerante com as diferenças. Hoje, existem ferramentas melhores para a pesquisa e a diversão. Hoje, a participação em ONGs é grande e isso mostra um país que trabalha, apesar do Estado burocrático. O país está melhor. Falta muito, mas o olhar está mais atento, e até o sexo está mais seguro. Não temos hinos mobilizadores, mas nem precisamos deles.
O jovem de hoje não precisa mais lutar pelo fim da tortura ou por eleições diretas, pois outras gerações já fizeram isso. Se o país necessitar, é verdade, lá estarão eles de cara limpa, pintada, o que for. Mas é bobagem achar, como pensam os nostálgicos, que tudo já foi feito. Há muito por realizar pelo país. Seria bom, por exemplo, se a juventude participasse de forma mais efetiva na luta pela educação e pela leitura. Sim, porque lemos pouco, muito pouco. Ler mais vai fazer a diferença. Transformar a chatice da obrigação de ler Machado de Assis no prazer absoluto de ler Machado de Assis. Repensar a escola também é fundamental. Dar ao aluno mais responsabilidade pelo próprio destino e a chance de se auto-avaliar e avaliar seus professores. Reformular o sistema de avaliação e transformar a escola numa atividade de prazer: trazer para dentro dos colégios os temas da atualidade, além de transformar numa atividade doce o trinômio física-química-biologia.
Vivemos num país que mistura desdentados com marombados, famintos com bad boys, motins em prisões com raves na Amazônia, malabares nos cruzamentos com gatinhas tatuadas, crianças com 15 anos na Febem e outras com 15 na Disney. É Macunaíma dando passagem aos tropicalistas, numa maçaroca que é o samba-enredo chamado Brasil. É um país com muitas diferenças – e acabar com elas é papel dos jovens. A juventude deve, acima de tudo, saber desconfiar das verdades absolutas. Desconfiar sempre é ser curioso, pesquisador, renovador, transgressor. Seja intransigente na transgressão. Sempre diga não ao não – e desafine o coro dos contentes. Texto de Serginho Groisman

terça-feira, 29 de maio de 2012

Por falar em saudade

Hoje abri meu baú de saudade e fui buscar seus cheiros e encantos, caminhei nessa busca e fui encontrando textos, fotos, jornais, recortes e saudades... Encontrei essa crônica de Vicente Serejo, escrita em 1991 e resolvi postar. Ela vem impregnada de sentimentos contraditórios nesta tarde clara e silenciosa. Saudade - pra que negar? - das horas boas que a gente passa em sossego e nem escuta o tempo acelerado nos ouvidos. Saudade  da mansidão de algumas tardes antigas que ficaram guardadas nas malas imprestáveis, como as fantasias de baile que ja não servem para as festas de hoje em dia.
Saudade de algumas conversas que ainda restam em nós, como se a memória juntasse pedaços na esperança de um dia recompor o passado. Saudade das bocas que nos disseram coisas boas e que depois se calaram. Saudade de frases que nunca foram ditas porque é como se nunca mais merecêssemos.
Saudade da juventude que não se perdeu porque foi vivida intensamente, mas é sempre uma perda na retina dos dias de agora tão cansados. Saudade de não precisar ser, agora que somos, tão perdidamente, esse ser gordo e cheio de ansiedade, esperando  otiro seco da largada.
Saudade dos quintais cheios de sombra e dos frutos maduros que neles caiam para que nossas mãos e os nossos olhos se enchessem de alegria. Saudade de algumas canções que morreram de velhice, porque tentar repetí-las é desafiar, perigosamente, o destino inevitável de ser moderno.
Saudade das paixões que tivemos e de todas as dúvidas que assaltavam o rapaz que procurava um destino sem saber por onde começar. Saudade das incertezas todas que eram tão sólidas não tivesse vindo, muito lentamente, a maturidade para desfazê-las, até destruí-las, quando não assassiná-las.
Saudade de um rosto cujos traços já começam a apagar porque é vã a esperança de redesenha-lo por inteiro. Saudade daquele olhar que nos encontrava na multidão, agora que nem somo divisíveis. Saudade de ser visto. Saudade de não ser visto. Saudade de poder ver todas as coisas. Até as feias.
Saudade das mulheres que erasm doces e na doçura ensinavam mais que agora quando suas lições de vitória nos obrigam a vencer. Saudade das mulheres que eram bonitas exatamente porque não sabiam as lições de beleza, nem as compravam como hoje, nas clinicas de estéticas e nos salões.
Saudade - pra que negar? - de quando não se tinha saudade porque nem era preciso fazer  um jogo de coragem ou de palavras.
Saudade doce, sem nada de amargo, saudade boa e mansa. Saudade que nem sei dizer como é. Talvez aquela do primeiro relógio de pulso. Do primeiro sapato de fivela, do primeiro gol.

domingo, 25 de março de 2012

Para falar de solidão


Quantas vezes nos sentimos ou ficamos confinados numa sala sem portas asfixiando o nosso viver e olhando as marcas que vão ficando no assoalho, nas idas e vindas do viver? Assombrar os sonhos com tempestades que trazem dor e farejar os aromas pelas frestas que vão se abrindo nesse turbilhão de emoções que vão deixando sulcos na pele, na face, no coração... Sentir-se só é uma das maiores dor... A noite escura da alma, o pedido de socorro que não chega. Todos caminham em direção inversa a você, caminham olhando para dentro de si e enquanto isso, tudo que era invencível, que um dia se mantivera de pé, vai se tornando numa avalanche de ruinas naquela sala sem portas, de repente tudo quer sair e engolfar-se num redemoinho gigante para o exterior, e o que fazer quando o contraditório se instala? Calar a voz ou gritar, aquietar a emoção e racionalizar a dor do viver que é o viver só. *Para aquietar a alma nesse principio de noite... apenas noite.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Devaneios contraditórios




Desejo e razão: briga constante no meu coração. Por um lado, o consciente aponta todos os motivos que me levam a não dever querer. Por outro lado, aquele destemido inconsciente faz arder em meu coração o desejar... Desejo sem nome, nome sem dono, dono sem rumo, rumo de desejar. Brilho nos olhos, coração palpitante, alma expectante – sintomas incontroláveis que invadem o ser sem dar o direito de não querer...

Novamente a luta: amar ou racionalizar? É possível equalizar? Racionalizar ou ser verdadeiramente feliz? Ser verdadeiramente feliz ou escolher o aparentemente ideal? Escolher o aparentemente ideal é permitir que o vazio se apodere e caia novamente na fantasia... Céus! Será que o que nos atrai verdadeiramente é o caos? Se for o caos, por que referimos buscar a calmaria? Quando buscamos a calmaria, por que os monstros perturbam nosso descanso? Se os monstros perturbam, por que não tememos a escuridão quando a luz se apaga em nossos corações? As trevas enegrecem a cena, mas iluminam a criatividade quando o assunto é desejar...

Tanta contradição, tanto querer discrepante em meio ao desejar. A cabeça raciocina enquanto o corpo reage às emoções. Tanta incoerência num só ser dividido naquilo que deve, precisa ou pode acreditar e naquilo que realmente crê desejar. Crer no que ama, que vibra a cada instante quando deixa o coração se pegar pelas mãos da emoção sem nada pensar. Buscamos o equilíbrio, mas nessa balança o peso maior, além de soberano, sempre vencerá. Porque não há como fugir daquilo que o desejo resolve operar. Não falo de desejo no sentido de necessitar... Falo do desejo que se impõe inconscientemente, independente do justificar. E esse realmente dá medo, porque não perdoa, somente vive em nome do realizar.

E vivemos rodeados de falsos desejos que representam o dito como “certo”, o correto, o que os padrões determinam. E não compreendemos porque adoecemos, porque trazemos sintomas corporais das nossas insatisfações, das nossas incessantes tentativas de mascarar o que vibra dentro da nossa alma como o verdadeiro desejo. Enganamos no agir, fingimos no ser, mas não escapamos no sentir... E dessa forma vamos levando a vida como se fôssemos produto reproduzido a partir de um modelo, muito aquém daquilo que somos, distantes de tudo que realmente sentimos.

Cada vez mais, tentamos a qualquer custo realizar os desejos que se colocam como reais. Entretanto, cada vez menos estamos satisfeitos. Há que se perguntar se o saciado de fato corresponde ao desejado. Se assim o fosse, não deixaria seqüelas tão severas no que tange à procura inesgotável de sei lá o quê. Falta reflexão, análise de si, contato interior. É preciso descobrir se você quer o que deseja ou se deseja o que quer... Bom mesmo seria se conseguíssemos avaliar o que é nosso e o que se mistura ao nosso eu a ponto de não distinguirmos nossos próprios anseios.

Aprender a se escutar talvez seja a tarefa mais árdua que o ser humano pode enfrentar... Porque se escutar significa se implicar nas escolhas e isso exige coragem, determinação e responsabilidade. Parece mais simples deixar o outro falar por nós, desejar por nós, realizar por nós. Assim, nos livramos da culpa e do peso do livre arbítrio e, consequentemente, dos resultados que virão em virtude dos caminhos que tomamos.
Nessa luta eterna entre desejo e razão, que vença VOCÊ, inteiro, sujeito da própria edição. Por Cristina Hanh

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Motivo da Rosa


Não te aflijas com a pétala que voa: Também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzidas, mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos ao longe,o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando, por desfolhar-me é que não tenho fim...
Cecília Meirelles