quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Onde está o amor?




ONDE ESTÁ O AMOR? É PRECISO ACHÁ-LO!

Estou assustado, confesso. É duro ver que até pessoas que se declaram cristãs, deixam de lado a prática do amor com tamanha facilidade e com tantas desculpas. O amor não é um sentimento que o poeta transformou em poesia, apenas. O amor não é uma letra de canção embalada por uma pauta musical que emociona, apenas. O amor pode ser retratado poética e musicalmente, mas o amor é aquilo que fazemos e que tem como endereço prioritário o outro. Se doer no outro, mas não doer em mim, se aconteceu com o outro, mas não me diz respeito, justifique você sua atitude da forma que quiser, com as palavras que quiser, lamento dizer; você não ama.
Justifico minhas palavras citando o próprio Deus no que lemos em João 3.16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna”. Deus não deu de ombro a respeito de nossa mísera condição. Deus não olhou para o outro lado e nem passou de largo. Deus não criou discursos bonitos para justificar a indiferença. Ao olhar para seres como eu e você, Deus transformou seu olhar em um ato. Gosto muito de um cântico que cantei na década de 70 e 80. Ele dizia: “Seu maravilhoso amor, seu maravilhoso amor, transformou meu ser, todo meu viver, seu maravilhoso olhar”.
Ontem li que duas mulheres jogaram um recém-nascido na fogueira. Todos os dias nos deparamos com notícias sobre pessoas que são sequestradas e mortas. Todos os dias lemos sobre atentados terroristas. Todos os dias vemos, ou sofremos em nossa própria carne, a dor que a falta de amor produz. Todos os dias vemos pelas notícias locais e mundiais que o amor ao dinheiro animalizou e embruteceu o homem de uma tal maneira que suas ações beiram a irracionalidade.  Por que tanto amor ao latifúndio? Um túmulo representa apenas um pequeno espaço e um punhado de terra.
Onde está o amor? É preciso achá-lo com urgência, pois ele é a chave mestra que abre todas as portas. O amor é o remédio que cura todas as feridas da alma. O amor é a palavra que une e não o discurso que separa. O amor é o silencio nos lábios de quem tem o direito para falar e se cala. O amor é o olhar simpático e a atitude empática até com respeito aos nossos inimigos. Jesus disse: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”. Mateus 5.44. Loucura, dirão os que insistem em não amar.
Precisamos achar o amor porque em o achando encontraremos o próprio Deus. João escreveu de uma forma estupenda: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor”. 

Que Deus habite realmente em nós, pois se isso for uma realidade, iremos amar à Sua semelhança. Iremos transformar nossos discursos em atos assim como fez o Bom Samaritano (Lucas 10.25-37), nossas poesias e músicas em realidades onde muros são substituídos por pontes, iremos ser verdadeiros sem nos deixar seduzir pelo legalismo, iremos imitar o próprio Deus no exercício da Sua maravilhosa e inconfundível graça. Encontre o amor e terás achado o próprio Deus.
Por MAURO SERGIO AIELLO

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Alegria quase infantil...






Alegria quase infantil… Qual foi a última vez que você sentiu-se assim?
Tenho pedido a Deus, há algum tempo, que me ensine a viver e desde que comecei a fazer esta oração tenho redescoberto pequenos prazeres!
A pós modernidade nos empurra, goela abaixo, um estilo de vida vazio e decadente onde perseguir status, posição e coisas é mais importante do que apreciar a simplicidade dos pequenos momentos e a companhia das pessoas.
Mas eu pertenço a Deus, logo, não tenho que engolir o lixo que o século me oferece.
Posso me deliciar com a chuva; assentar-me para uma refeição em família longe da televisão…
Posso deixar a casa bem limpa e cheirosa e passear descalça por ela; prestar atenção aos sabores; fazer e receber cafuné; abraçar, beijar e cheirar só pra dizer “Eu te amo” no final…
Eu posso parar pra ver o sol se por; serão apenas alguns minutos…
Eu posso me irritar sem deixar que isso envenene a minha alma e posso chorar pra mandar embora todas as dores que eu não quero dentro de mim; posso visitar quem amo e ter a alegria de dividir um pedaço de pão com manteiga ou, quem sabe, um bolo caseiro que perfuma a casa inteira…
Eu posso ouvir as pessoas, desligar o automático e sorver a vida, vida abundante que Jesus conquistou pra mim!
Eu não preciso de mais nada a não ser aprender com o Apóstolo Paulo a me contentar com o que tenho, afinal, posso todas as coisas Naquele que me fortalece!
Quer uma sugestão? Tire os sapatos, afrouxe a gravata, sinta o cheiro da vida, desligue o automático, você não é um robô, não espere dias secos para se lembrar que a chuva é importante, deixe o amor de Deus hidratar você e te ensinar a viver!

Aproveite o dia, meninada!
Helena Tannure

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Plural

Eu, em meio as minhas trevas luminosas, fraquezas forças, tristezas alegrias. Sou todo fragmentado. 
Mas dos cacos de vidros espalhados fiz de mim um mosaico, um vitral. Sou todo inteiro, mesmo sem ser total. Mas ainda que seja assim, mesmo que seja assim, mesmo assim vou prazenteiro e agoniosamente, vivendo unidade e pluralidade, pluralidade e unidade em meios a desolação e consolação da vida...

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Tempo de Falar?

Estava meio travada por permitir que a tristeza inundasse meu peito e calasse o meu verbalizar... Entretanto, até na tristeza tenho o que falar... Aliás, falar da tristeza transforma em palavras nosso sofrer e esvazia nosso coração das mazelas que acumulamos por não saber expulsar aquilo que não desejamos carregar... Nem sempre é fácil falar... Mexemos em feridas que parece melhor não tocar... Porém, como curar as feridas sem abri-las, tocá-las, usar o remédio correto ainda que doa? É assim que levo minha vida... Falando, "oralizando" o que em mim se faz conflito... Pode parecer falatório, pode parecer inútil, mas sou resultado de um mundo falado, construído no significante das palavras... Portanto, preciso e desejo encontrar meus significados pelos símbolos dos vocábulos, pelo dito e pelo calado...
E assim inicio mais um dia da vida: Agradecida pela dádiva de falar e feliz no meu silêncio falado...

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Porque escrevo...

 Ultimamente ando sem conseguir escrever, vou alimentando aqui com os textos que gosto. Meus dias estão inquietos, encontro-me sonolenta e lenta, vou vivendo das reservas...


Aperta o meu coração, uma vontade de dizer sem saber se o outro quer ouvir: cuida de você, você pode, você é capaz, não fica aí nesse lugar. Vontade de dizer, compassiva, com empatia, porque eu muitas vezes também fiquei esperando. Até começar a entender que, depois que a gente cresce, a proteção amorosa, o suporte, a delicadeza, precisam começar na nossa relação com nós mesmos… Uma benção receber amor. Mas quando a gente dói, a gente precisa saber formas de cuidar da própria dor com o jeito carinhoso com que gostaríamos de ser cuidados pelos outros, com a delicadeza com que cuidamos de outras pessoas. A gente precisa se ter, antes de tudo. O beijo precisa começar em nós." Ana Jácomo

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Saudade para que?



Existem jovens que sentem nostalgia por não ter sido jovens em gerações passadas. Saudade do enfrentamento com os militares dos anos 70, da organização estudantil nas ruas, do sonho socialista-comunista-anarquista-marxista-leninista. Ter saudade da ditadura é ter saudade de conhecer a tortura, o medo, a falta de liberdade e a morte. Ser jovem naquela época era coexistir com a morte, ver os amigos ser tirados das salas de aula para o pau-de-arara, para o choque elétrico, para as humilhações. Da mesma forma, quem sente nostalgia dos anos 80 se esquece do dogmatismo limitante das tribos daqueles tempos, fossem punks, góticos ou metaleiros. Hoje, é a vez dos mauricinhos-patricinhas-cybermanos-junkies, das raves, do crack, da segurança dos shoppings e do Beira- Mar. Um cenário que pode parecer aborrecido ou irritante para muita gente que tem uma visão romântica de outras décadas. Mas nada melhor que a liberdade que temos hoje para saber qual é a real de uma juventude e de uma sociedade. Hoje, a juventude é mais tolerante com as diferenças. Hoje, existem ferramentas melhores para a pesquisa e a diversão. Hoje, a participação em ONGs é grande e isso mostra um país que trabalha, apesar do Estado burocrático. O país está melhor. Falta muito, mas o olhar está mais atento, e até o sexo está mais seguro. Não temos hinos mobilizadores, mas nem precisamos deles.
O jovem de hoje não precisa mais lutar pelo fim da tortura ou por eleições diretas, pois outras gerações já fizeram isso. Se o país necessitar, é verdade, lá estarão eles de cara limpa, pintada, o que for. Mas é bobagem achar, como pensam os nostálgicos, que tudo já foi feito. Há muito por realizar pelo país. Seria bom, por exemplo, se a juventude participasse de forma mais efetiva na luta pela educação e pela leitura. Sim, porque lemos pouco, muito pouco. Ler mais vai fazer a diferença. Transformar a chatice da obrigação de ler Machado de Assis no prazer absoluto de ler Machado de Assis. Repensar a escola também é fundamental. Dar ao aluno mais responsabilidade pelo próprio destino e a chance de se auto-avaliar e avaliar seus professores. Reformular o sistema de avaliação e transformar a escola numa atividade de prazer: trazer para dentro dos colégios os temas da atualidade, além de transformar numa atividade doce o trinômio física-química-biologia.
Vivemos num país que mistura desdentados com marombados, famintos com bad boys, motins em prisões com raves na Amazônia, malabares nos cruzamentos com gatinhas tatuadas, crianças com 15 anos na Febem e outras com 15 na Disney. É Macunaíma dando passagem aos tropicalistas, numa maçaroca que é o samba-enredo chamado Brasil. É um país com muitas diferenças – e acabar com elas é papel dos jovens. A juventude deve, acima de tudo, saber desconfiar das verdades absolutas. Desconfiar sempre é ser curioso, pesquisador, renovador, transgressor. Seja intransigente na transgressão. Sempre diga não ao não – e desafine o coro dos contentes. Texto de Serginho Groisman

terça-feira, 29 de maio de 2012

Por falar em saudade

Hoje abri meu baú de saudade e fui buscar seus cheiros e encantos, caminhei nessa busca e fui encontrando textos, fotos, jornais, recortes e saudades... Encontrei essa crônica de Vicente Serejo, escrita em 1991 e resolvi postar. Ela vem impregnada de sentimentos contraditórios nesta tarde clara e silenciosa. Saudade - pra que negar? - das horas boas que a gente passa em sossego e nem escuta o tempo acelerado nos ouvidos. Saudade  da mansidão de algumas tardes antigas que ficaram guardadas nas malas imprestáveis, como as fantasias de baile que ja não servem para as festas de hoje em dia.
Saudade de algumas conversas que ainda restam em nós, como se a memória juntasse pedaços na esperança de um dia recompor o passado. Saudade das bocas que nos disseram coisas boas e que depois se calaram. Saudade de frases que nunca foram ditas porque é como se nunca mais merecêssemos.
Saudade da juventude que não se perdeu porque foi vivida intensamente, mas é sempre uma perda na retina dos dias de agora tão cansados. Saudade de não precisar ser, agora que somos, tão perdidamente, esse ser gordo e cheio de ansiedade, esperando  otiro seco da largada.
Saudade dos quintais cheios de sombra e dos frutos maduros que neles caiam para que nossas mãos e os nossos olhos se enchessem de alegria. Saudade de algumas canções que morreram de velhice, porque tentar repetí-las é desafiar, perigosamente, o destino inevitável de ser moderno.
Saudade das paixões que tivemos e de todas as dúvidas que assaltavam o rapaz que procurava um destino sem saber por onde começar. Saudade das incertezas todas que eram tão sólidas não tivesse vindo, muito lentamente, a maturidade para desfazê-las, até destruí-las, quando não assassiná-las.
Saudade de um rosto cujos traços já começam a apagar porque é vã a esperança de redesenha-lo por inteiro. Saudade daquele olhar que nos encontrava na multidão, agora que nem somo divisíveis. Saudade de ser visto. Saudade de não ser visto. Saudade de poder ver todas as coisas. Até as feias.
Saudade das mulheres que erasm doces e na doçura ensinavam mais que agora quando suas lições de vitória nos obrigam a vencer. Saudade das mulheres que eram bonitas exatamente porque não sabiam as lições de beleza, nem as compravam como hoje, nas clinicas de estéticas e nos salões.
Saudade - pra que negar? - de quando não se tinha saudade porque nem era preciso fazer  um jogo de coragem ou de palavras.
Saudade doce, sem nada de amargo, saudade boa e mansa. Saudade que nem sei dizer como é. Talvez aquela do primeiro relógio de pulso. Do primeiro sapato de fivela, do primeiro gol.