Hoje, não sei porque acordei cedo e fui procurar um livro que imaginei sumido. Não descansei até encontrá-lo nas prateleiras. Era um livro antigo de história infantil que falava sobre os nômades do deserto. ( Os homens azuis). Minha alma andarilha queria mais uma vez ler sobre essas tribos que andam pelo deserto do Marrocos e entender a sublimidade da liberdade que é o deserto. Como disse Saint-Exupéry, o povo nômade do deserto, "não defende sua liberdade, pois no deserto ele é totalmente livre; não defende seus tesouros palpáveis, pois o deserto é vazio; mas ele defende um reino secreto." Fui para a cama com o livro e voltei a dormir sonhando com cavernas, óasis, palmeiras e ventos. Só uma alma andarilha reconhece a necessidade do deslocamento das tribos em busca de alimento, especiarias e solidão. Não falo do que é palpável, falo do sentimento de inquietação que se instala, quando o que queremos é migrar para outros portos, vislumbrar outros pores-do-sol, outras alvoradas. Lembro novamente daquele amor, do silêncio... Acordo atordoada, inquieta. O som dos instrumentos da aula de música anunciam que já passam das nove. Primeiro o som das flautas, suaves, depois o sax e o trompete fazem as minhas manhãs de sábado tornaram-se enlouquecidamente barulhenta. As aulas de canto logo depois dizem-me que devo levantar. Já não dá mais tempo ir para o curso de Midias e Tecnologia lá em Georgino. A rotina recomeça como em todos os sábados e então deixo que a chuva se precipite em meus olhos e leio um poema de Pablo Neruda para espantar a solidão. SAUDADE
Saudade é a solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amada já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais... Pablo Neruda/ Poeta Chileno
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