sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Menino Triste



Que queres menino triste,



que me paras no farol?



Que sonho escuro que viste,



pois teus olhos não tem sol?



Tua madrasta é a rua...



Com seu cimento gelado.



E de noite, nem a lua



Te dá olhar de trocado...



Quem te largou neste mundo,



Para catares esmolas?



Se roubas és vagabundo...



Mas quem te roubou a escola?



E quem te arrancou da mão



Um brinquedo e umqa esperança?



Quem te tirou sem perdão,



O direito a ser criança?



Tua é a calçada,



Que frequentas todo em trapos



Se o dia não rende nada,



Logo apanha uns sopapos.



Não sei quem é o autor. Quem souber me avise para que eu possa dá os créditos.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Uma esperança.



Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica, que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto. Houve um grito abafado de um dos meus filhos: - Uma esperança! e na parede, bem em cima de sua cadeira! Emoção dele também, que unia em uma só as duas esperanças, já tem idade para isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ninguém saber, e não acima da minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não poderia ser. -Ela quase não tem corpo, queixo-me. -Ela só tem alma, explicou meu filho e, como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças. Ela caminhava devagar sobre os fiapos das longas pernas, por entre os quadros da parede. Três vezes tentou renitente uma saida entre dois quadros, três vezes teve que retroceder caminho. Custava a aprender. -Ela é burrinha, comentou o menino. - Sei disso, respondi um pouco trágica. -Ela está agora procurando outro caminho, olhe, coitada, como ela hesita. -Sei, é assim mesmo. -Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é guiada pelas antenas. -Sei, continuei mais infeliz ainda. Ali ficamos não sei quanto olhando. Vigiando-a como se vigiava na Grécia ou em Roma o começo de fogo do lar para que não se apagasse. -Ela esqueceu de que pode voar mamãe, e pensa que só pode andar devagar assim. Andava mesmo devagar- estaria por acaso ferida? Ah não, senão de um modo ou de outro escorreria sangue, tem sido sempre assim comigo. Foi então que farejando o mundo que é comível, saiu de trás de um quadro uma aranha, mas me parecia "a" aranha. Andando pela sua teia invisível, parecia transladar-se maciamente no ar. Ela queria a esperança. Mas nós também queríamos e oh! Deus, queríamos menos que comê-la. Meu filho foi buscar a vassoura. Eu disse fracamente, confusa, sem saber se chegara infelizmente a hora certa de perder a esperança. - Preciso falar com a empregada para limpar atrás dos quadros - falei sentindo a frase deslocada e ouvindo certo cansaço que havia em minha voz. Depois devaneei um pouco de como eu seria sucinta e misteriosa com a empregada: eu lhe diria apenas: você faz o favor de facilitar o caminho da esperança. O menino, morta a aranha, fez um trocadilho com o inseto e a nossa esperança. Meu outro filho que estava vendo televisão, ouviu e riu de prazer. Não havia dúvida: a esperança pousara em casa, alma e corpo. Mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive, é um esqueletinho verde, e tem uma forma tão delicada que isso explica por que eu que gosto de pegar nas coisas, nunca tentei pegá-la. Uma vez, alás, agora é que me lembro, uma esperança bem menor que esta, pousara em meu braço. Não senti nada, de tão leve que era, foi só visualmente que tomei consciência de sua presença. Encabulei com a delicadeza. Eu não mexia o braço e pensei: "e essa agora? que devo fazer?" Em verdade nada fiz. Fiquei extremamente quieta como se uma flor tivesse nascido em mim. Depois não me lembro mais o que aconteceu. E, acho que não aconteceu nada. Texto deClarice Lispector.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Silêncio...




"As vezes a única coisa que me serve, que me basta, que me cabe, é escrever... é justamente nessas horas que as palavras vão embora. Hoje eu queria escrever sobre o silêncio. Não consegui, silenciei... Não escrevi. Mas está tudo aqui... Caio F. Abreu.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Dia dos Pais!









Ontem comemoramos o dia dos pais, mas será que as pessoas conhecem a origem desse dia tão especial? No Brasil o dia dos pais teve uma origem parecida com o dia das mães, foi idéia de um publicitário. Em 1953 Silvio Bhering pensou que seria bom importar essa comemoração, que já ocorria em diferentes partes do mundo, para o Brasil. A data escolhida foi 14 de agosto, e a iniciativa teve grande apoio do jornal O Globo. Nos anos seguintes a data foi modificada para o segundo domingo de agosto, sendo este um dia mais propicio para as reuniões familiares. Em São Paulo o dia dos pais só começou a ser comemorado em 1955, quando a data passou a ter apoio da Folha de S.Paulo, TV Record, Rádio Pan Americana e a extinta Rádio S.Paulo. O grupo organizou um grande show para comemorar a data especial com muitas premiações e lançamentos de discos. Dessa forma o dia dos pais pegou de vez no Brasil. Sabemos que a origem publicitária do dia dos pais não é um grande estímulo, mas isso não muda o fato de que se trata de um dia em que podemos reafirmar o nosso amor a uma pessoa que só nos tem feito bem. Prestar esta homenagem é o minímo de carinho que podemos fazer ao homem que nos educou e nos preparou para a vida. Em outros países, foi exatamente este desejo que iniciou a comemoração. O Primeiro registro de uma comemoração do gênero vem da Babilônia, há mais de 4 mil anos, onde o jovem Elmesu, moldou em argila um cartão, desejando sorte, saúde e longa vida ao seu pai. A fixação de uma data específica para homenagear os pais é divida entre eventos ocorridos em 1908 no Estado Norte americano de West Virgínia e em 1909 quando a estadunidense Louise Smart Dodd decidiu especificar a data 19 de junho para homenagear e demonstrar toda a sua admiração por seu pai, um veterano da guerra civil que ficou viúvo quando a sua esposa teve o sexto bebê e criou sozinho, os seis filhos em uma fazenda em washington.


A primeira comemoração aconteceu em 1910, e as rosas foram definidas como flores oficias do evento. Os pais vivos deveriam ser homenageados com rosas vermelhas e os falecidos com flores brancas. Em 1972, o então presidente Richard Nixon proclamou oficialmente o terceiro domingo de junho como Dia dos Pais. Outros países do mundo também comemoram o dia dos pais, mas nem sempre na mesma época. Na Alemanha a comemoração acontece no Dia da Ascenção, 40 dias depois do domingo de páscoa. Na Tailândia a data é comemorada no dia 05 de dezembro, dia do nascimento do rei Bhumibol Adulyadej. Na Bélgica, Portugal, Espanha, Angola, Itália, Cabo Verde, Andorra e Listenstainea a festa ocorre no dia de S. José, (19 de março), sendo que em alguns países o dia dos pais acontecem duas vezes. A primeira dia 19 de março e a segunda, considerada secular ocorre no segundo domingo de junho. Na Rússia não existe propiamente o dia dos pais. Lá os homens comemoram seu dia em 23 de fevereiro, a chamada data "o dia do defensor da pátria" (Den Zaschitnika Otetchestva).






Fontes: Blog Pipoca do Bits, wikipédia, Arte-Educação, Chiff.

domingo, 14 de agosto de 2011

A Roda e a Vida





Qual o segredo que vai colocar a roda da vida em funcionamento? Começo esta postagem com esse questionamento por que da minha "janela", fico contemplando o seu girar. Estava numa aula do curso de Tecnologias, quando surgiu uma discursão sobre politica. Confesso que eu queria ficar calada, e fiquei no princípio. Sabia que a minha fala, tanto podia prolongar a discursão como dar um ponto final. Veio-me a mente o versículo da Palavra de Deus que diz: "A palavra dura suscita a ira, a branda desvia o furor." E foi com essa palavra como base no meu coração, que eu tive coragem para interpelar aquele grupo. Comecei falando sobre amizade, afeto,e o segredo da roda gigante. Pedi que o grupo refletisse que nós somos essa roda, um dia estamos sentados na última cadeira, temos uma vista deslumbrante da paisagem, lá embaixo as pessoas parecem menores, mas a roda gira... De repente não estamos mais no alto, estamos embaixo no ínicio, onde tudo começou. Precisamos das pessoas, precisamos sentir o outro, ouvir o que ele tem a dizer, não sabemos como a roda vai continuar girando, não podemos descartar as pessoas como se fossem produtos descartáveis. Não é tempo de afastar... é tempo de unir, de juntar, está perto, (RE)aproximar... Amar. Compreendendo que o amor supera as diferenças, sejam políticas, econômicas ou sociais... Acredito que o segredo para a roda girar em harmonia é a unidade, seja em qual esfera for, precisamos proclamar que o verbo amar pode ser conjugado em todas as formas. Vejo as pessoas indo, delindo-se, dobrando a esquina sem se voltar e muitas vezes esquecemos ou não dizemos o quanto elas são especiais para nós. Não deixe para amanhã o dia em você vai mudar de posicionamento. Mude hoje, diga hoje, aproveita a oportunidade em que está lendo esta postagem para dizer ao seu filho, sua esposa(o), seu irmão, que você os ama! Ah! que alívio você irá sentir, e com certeza as engrenagens dessa roda girará mais leve, sem aquele barulhinho ensurdecedor por falta de lubrificação. Lubrifica a tua vida com o azeite do amor, do perdão e da alegria. Quando se quer o bem, os resultados são sempre bons, não se deixe paralisar pelo medo. Deus é o Deus dos valentes!

sábado, 6 de agosto de 2011

Vale de Baca.








"Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplainados. O qual passando pelo vale de Baca, faz dele uma fonte; a chuva também enche os tanques." (Sl.84:5,6)

Uma visita mudou toda a roupagem do meu fim de tarde, o rumo que fomos dando a nossa conversa mudou de uma forma que só percebemos quando a noite foi caindo sobre nós. Do fim da nossa conversa só ficou um resumo pequeno, mas que encheu toda a minha noite."O qual passando pelo vale de Baca, faz dele uma fonte; a chuva também enche os tanques." Fiquei curiosa para saber mais sobre esse vale que não saía do pensamento.Descobri que nos tempos do VT, os israelitas piedosos faziam peregrinações regulares a Sião, para adorar a Deus no templo. Aquelas peregrinações eram muito difícies em certos trechos, e o mais difícil era o Vale de Baca(Versão Revista e Corrigida), também chamado Vale das Lamentações (Septuaginta), Vale de Lágrimas(Vulgata Latina), Vale das Balsameiras(Bíblia de Jerusalém) e Vale Árido (Versão Revista e Atualizada). "Baca" é uma palavra hebraica que significa "choro", "lágrima". As Balsameiras são plantas que destilam, gotejam ou "choram" o balsámo, uma resina de odor tão agradável que a palavra balsámo veio a significar figurativamente, "alívio", "conforto"... Certamente Baca era um lugar perfumado e devia conter os seus segredos.E os peregrinos mesmo tendo que passar por este vale, sabiam que ali a chuva enchia os tanques e que eles iriam de força em força descendo os pedregais. O destino de quem passava por Baca era Sião, a passagem era obrigatória, Baca moldava os peregrinos ansiosos por chegar à Jerusalém, tornando-os mais fortes, mais humildes e mais dependentes de Deus."A chuva também enche os tanques." Em Baca o solo era árido e em algumas aréas pedregoso, por sua extenção os peregrinos eram obrigados a cavarem poços para obtenção de água, alguns já não tinham tanto trabalho, encontravam os poços cavados e cheios pelas águas da chuva. Muitos de nós passamos por Baca, alguns poucas vezes, outros muitas; alguns até vivem em Baca. alguns necessitam de muito esforço para cavar os poços e sobreviver, outros desfrutarão do esforço que outros fizeram; estes encontram os poços cavados e com água. Em Baca há também poços cavados e vazios que se enchem de lágrimas, mas mas lágrimas existem balsámo que trazem conforto e também alegria. Apesar da aridez de Baca ele pode se tornar uma fonte onde nos tornamos sábios e fortes, resistentes e confiantes por que sabemos que o nosso destino é Sião. Aprendo que em Baca recebo o meu sustento, mesmo sendo um vale indesejado podemos construir uma fonte. Se o poço não estiver cavado, cavemos nós mesmos porque acompanhados pelo Senhor não ficaremos no Vale de Baca. Ele mandará a chuva e com ela as bençãos nos acompanharão. Se está na solidão lembre-se que Ele prepara banquete no deserto.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Para aquietar a tarde!







Tem aqueles momentos na vida que a gente vai lá em baixo e não sabe se terá forças para vir a tona. Nessas horas a gente precisa tentar e tentar. Quando uma ovelha fica "abatida" precisa ser restaurada. Hoje a minha alma precisou ficar quieta e em silêncio. Ela se recolhe a uma doce solidão, entremeada de um mistério que não sei explicar por que transcede a racionalidade da vida. Como Dionisio é vida e morte, dor e prazer, luz e escuridão, essa duplicidade paradoxal e contraditória. No momento em que quer calar, ao mesmo tempo quer dizer, fazer, sentir, conhecer... Experimento, e muitos outros também, que não vale só o que se sente, pensa, faz e escreve. Somos mais! Vivemos à correr riscos... "Viver é correr riscos." Se eu parar e considerar o que está contido no ato de correr, percebo que quando corro, coloco primeiro um pé, depois o outro no chão, o que me deixa por um segundo sem equilibrio; em seguida recupero-o de novo. É um risco correr, mas só quando tenho a ousadia de perder meu equilibrio é que o conservo.Por um lado sei que devo ficar firme, por outro, que devo mudar continuamente. Desequilibrio e equilibrio. Pluralidade e unidade, ainda que confusa e conflituosa, mas relacional. Igual a esta tarde em que sinto-me dual ou plural em meio a desolação e consolação da vida.