
Estive ontem na Assembléia Legislativa do nosso Estado; enquanto esperava para ser atendida fiquei observando o entra e sai das pessoas comuns nos gabinetes parlamentares.Entramos em uma sala de espera minúscula, onde umas 20 pessoas aguardavam para serem atendidas. Não tenho muita paciência para esperar, mesmo estando preparada para uma longa espera. Chegamos por volta das 17h, os deputados encontravam-se em plenária e nós deveríamos aguardá-los. Não fiquei 05 minutos naquela saleta apertada com tanta gente querendo advinhar o que o outro iria conversar ou resolver naquele lugar. Os olhares se falavam, os anseios se misturavam e alguns até manifestavam as suas inquietações. Eu saí e fui aguardar no corredor estreito onde em cada porta entrava assessores, povo e funcionários. Todos sorrindo, fazendo promessas, e as horas se tornando lentas, intermináveis... Nós sujeitos passivos, ficamos à reboque dos acontecimentos e esperamos; aguardamos... Acredito que o arquiteto projetou aquelas salas de espera tão desconfortáveis para que as pessoas desistissem de esperar e fossem embora. Fomos convidados a subir para outro andar; o deputado não iria descer e as pessoas começaram a se dispersar, segurando uma promessa vazia de que outro dia seriam atendidas. Mudamos de sala; na realidade fizemos um tour nos corredores estreitos, subindo e descendo escadas. Ficamos mais meia hora sentados, agora num confortável sofá, numa sala toda atapetada, mas ainda cheia de gente querendo ser atendida. Alí o frenesí era maior, os nobres deputados circulavam com desenvoltura diante dos súditos boquiabertos esperando serem reconhecidos e pensando: "Quem sabe alguém me vê, afinal fui cabo eleitoral, estive com ele no último pleito." E aguardavam pacientemente uma migalha de reconhecimento; afinal, ainda não fazem seis meses desde a última eleição. Me pus a observar: as mãos que se apertavam, os sorrisos, as promessas... Uns saíam esperançosos, "Quem sabe amanhã?" Outros talvez não... Fico imaginando o que pensam aquelas pessoas naquele labirinto sem fim. Talvez sentindo-se perdido na multidão, considerando-se insignificante e vendo outros serem chamados enquanto vai ficando por último nessa roda que não para de girar. Você disfarça seus sentimentos, mas seria agradável ouvir seu nome mencionado de vez em quando nas rodas de conversa, ser elogiado, ser reconhecido... Ao menos uma vez... Talvez algumas pessoas, ou a maioria delas, sairam dalí decepcionadas com os seus líderes; mas deixe-me te dizer: a bondade e a misericórdia do Senhor estão te seguindo. Seu nome é importante para Ele. Jamais devemos esquecer disto. Talvez as multidões não o conheçam, mas não importa; você é conhecido do Rei dos reis. Você irá morar na casa do Rei e não terá que aguardar em uma saleta para ser atendido por um mortal... Assim começa a noite na Assembléia Legislativa. Fomos atendidos e saí dalí com uma impressão: deve ser muito bom ter nas mãos o poder de decidir, de fazer, ajudar, doar... Ou será apenas uma ilusão?