
O céu está cinzento nesta tarde ou será meu coração que está triste por não poder juntar as pérolas que teimam em cair no labirinto das cavernas? Procuro um ponto de partida para descer no caminho mas as águas inundam a passagem. Fico à mercê do tempo. Não consigo juntar as pérolas. Elas estão fora do meu alcance, partiram-se todas. Busco em Deus as respostas e muitas não vem da forma que eu quero. Questiono, entristeço às vezes. Neste momento de inquieta solidão busco a razão. Quero ser portadora do verbo amistar, que todo ser humano encontrasse em seu próximo o irmão, que essa loucura insana de mentes deturpadas fosse substituida pela essência de uma amizade sem interesse, sem subterfúgios e com diferenças respeitadas. Como posso deixar que em meu coração venha o desejo de destruir meu irmão, meu amigo? - Não quero falar destes motivos, eu quero ir além mesmo sabendo que nada do que digo mudará essa problemática. Eu não consigo nem mudar o que está em mim! E isto é o pior! Enfrentar os dissabores, fingir, às vezes, uma alegria que não existe nesse caos, na insegurança, na impotência de não poder substituir a raiva pela alegria, a insatisfação pelo prazer de fazer bem aos que estão próximos. Sinto-me dividida nesta tarde em que há prenúncio de temporal. Quem sabe a enxurrada leve algumas dores, dúvidas e inquietações para outras águas, outros mares... Quero tanto lavar a alma, limpar as cicatrizes, separar, delir, entrar no jardim e colher aquela flor bem-me-quer, encontrar o vento e soprar de mansinho em seus olhos e sentir uma brisa morna envolver o corpo, agasalhar o espírito, transbordar... envolver num abraço e com o gosto das águas que caem, limpas, transparentes, molhando o rosto, junto com as lágrimas de felicidade de mãos dadas caminhar pela vida, sem pressa, sem fugas... apenas caminhando na tarde!